Nesse mês, tenho falado sobre alergias alimentares entre bebês por ser uma demanda recorrente nos atendimentos que faço e, também, porque é um tema que gera muitas dúvidas nas famílias e até mesmo entre os profissionais da saúde.

Você sabia que cerca de 6% das crianças nos 3 primeiros anos de vida apresentam algum tipo de alergia alimentar? Parece pouco, mas para termos esse número, outras tantas apresentaram alguma suspeita, que tende a aparecer logo nos primeiros meses de vida.

A alergia à proteína do leite, ou a APLV, é a mais comum, mas identificamos outros alérgenos, como a soja, o ovo, as castanhas, o amendoim, os peixes, os crustáceos, o trigo e outros tantos alimentos. As reações alérgicas são diversas, passando por manifestações na pele, no sistema respiratório, gastrintestinal ou até cardiovascular. Elas podem ser imediatas ou levar vários dias para aparecerem, dificultando o diagnóstico.

Em geral, é importante que, ao identificarmos qualquer sintoma ou mudança no perfil da criança, isso precisa ser levado ao médico. Quando o bebê é pequeno, observamos, por exemplo, alterações nas fezes (como a presença de sangue), oscilações importantes no padrão de ganho de peso e crescimento, ou um bebê incomodado durante as mamadas. Quando há a suspeita de alergia, a confirmação acontece, normalmente, sem exames bioquímicos. O profissional tentará identificar o alérgeno que, como primeiro passo, precisará ser excluído do contato com o bebê. Para quem mama no peito, a mãe precisará fazer a dieta restritiva, pois o bebê pode reagir a partir da presença de algumas proteínas que chegaram ao leite materno por meio da alimentação da mãe. Para a mulher, pode ser desafiador fazer a dieta restritiva, mas, para o bebê, continuar recebendo o leite materno é a melhor forma de cuidado que poderá receber, já que ele atua positivamente na imunidade da criança. Caso ele receba fórmula, ela será trocada imediatamente pelo médico. Depois, precisamos observar se os sintomas do bebê regridem a partir das mudanças alimentares dentro de 4 a 8 semanas. Se isso aconteceu, geralmente, é realizada a reintrodução do alérgeno para confirmar se os sintomas retornam e, então, temos a alergia confirmada.

Os cuidados com a alimentação são fundamentais para criança alérgica. As famílias viram habilidosas leitoras de rótulos e, além daquilo que será feito em casa, elas precisam ficar atentas especialmente quando a alimentação é externa, pois não sabemos como os alimentos foram preparados e quais ingredientes foram usados. E, sim, qualquer mínimo contato pode ser suficiente para desencadear uma nova reação na criança. Não tem essa de “só um pedacinho não faz mal”.

Parece complexo demais? Pode ser, especialmente no início! Mas a boa notícia é que a maioria dessas alergias se reverte nos primeiros anos de vida e a criança poderá ter uma alimentação sem restrições. Durante o período em que a família conviver com a alergia, o apoio de um nutricionista pode ser útil, não somente para auxiliar a mantê-la sem contato com os alérgenos, mas para avaliar se algum nutriente faltará à criança ou à mãe que amamenta e para auxiliar nas dificuldades relacionadas à seleção e preparo dos alimentos, ajudando, assim, a pensar em alternativas saudáveis e saborosas para a família passar por esse período de forma mais fácil.