Que angústia quando nosso filho não come ou, ainda, quando come menos do que colocamos no seu prato! Há algumas semanas, fiz um levantamento no Instagram e a maioria das mães, cerca de 70%, relata ter inseguranças quanto à quantidade que a cria come.

Vamos pensar: se tem tanta gente achando que as crianças não comem o suficiente, será que temos muitas crianças com problemas a ponto de não conseguirem comer o que precisam? Ou será que tem um descompasso entre o que elas dão conta de comer e o que esperamos que comam?

Posso te dizer que, em geral, vale a segunda opção! Se estamos falando de crianças pequenas saudáveis, é difícil imaginar que elas passam fome sem expressar algum desconforto. Tem exceções? Sim! Mas temos que tratar como casos pouco frequentes.

Em geral, nós, adultos, fomos criados com aquela de ideia de que tem que comer tudo ou que é errado deixar comida no prato, não é mesmo? Então, quando o bebê, que não está nem aí para essas nossas regras, larga comida, temos a sensação de que ele é o problema.

Mas, na verdade, é ótimo que ele consiga perceber quando está com fome e quando está satisfeito. É muito importante que ele discrimine as sensações que a alimentação produzem no seu corpo!

Também temos que considerar que o nosso crescimento ao longo da vida não é linear. No primeiro ano de vida, é quando ele acontece com a maior intensidade e, proporcionalmente, precisamos de mais nutrientes. Além disso, podemos ter a falsa sensação de que o apetite vai diminuindo com o tempo. Mas o que realmente pode estar acontecendo é que os alimentos que a criança tem acesso vão mudando. Assim, enquanto no primeiro ano de vida, o bebê come vegetais crus ou cozidos e um pouco de carne e ovos, além de mamar no peito, depois ele começa a receber pães, biscoitos, iogurtes, queijo, suco, leite com chocolate… Todos esses alimentos terão muito mais calorias do que um pedaço de fruta, por exemplo. Aí, fica difícil mesmo ter apetite depois de um lanchinho à base desses itens que citei.

Te deixei mais tranquila? Talvez, não! Se você continua preocupada, por que não bater um papo com um nutricionista ou pediatra que entenda de alimentação infantil?

 

Ele vai avaliar o crescimento da criança, seu ganho de peso, eventuais características que remetem a deficiências, a rotina alimentar… Tudo isso facilitará a identificação de algum sinal de alerta que, se existindo, será possível intervir. O que considero mais preocupante, no entanto, é quando continuamos preocupadas e, às vezes, começamos usar de estratégias desnecessárias e, inclusive, perigosas, para fazer a criança comer mais sem que realmente ela precise!