Se você quer um assunto polêmico para chamar de seu, basta mencionar “fazemos cama compartilhada com o bebê”. Pronto, já pode passar o letreiro porque o filme de terror vai passar. Todas as justificativas descabíveis são dadas de modo a julgar mães e pais que optam pela cama compartilhada. Se você ler e ouvir com atenção, pode facilmente concluir que o bebê irá dormir com eles pelo menos até os 21 anos, fora todo o risco que os pais estão causando para a criança.

Mas Carlos González já acabou com mitos acerca da cama compartilhada. Alô para você que é mãe e pai, estuda para sê-lo, as informações de Besame Mucho são baseadas em evidências.

Os perigos da cama compartilhada, em Besame Mucho

“Não existe nenhum estudo aleatório e controlado (ou seja, em que tenham recomendado a cama compartilhada a um grupo de grávidas e dormir separados a um outro grupo, e tenham estudado os efeitos a longo prazo). Todos os dados vêm, portanto, de estudos de menor qualidade.

A cama compartilhada não causa insônia. A explicação mais razoável para a associação entre problemas de sono e a cama compartilhada não é que a cama compartilhada produz problemas de sono, mas sim o contrário em uma sociedade na qual a cama compartilhada costuma ser mal vista, os pais recorrem a ela apenas quando outros métodos para fazer a criança dormir tenham falhado, ou seja, quando a criança é propensa a chorar ou acordar, ou demora para dormir.

A cama compartilhada não causa problemas psicológicos. O único estudo de coorte realizado sobre o tema encontrou que, aos 18 anos, os que tinham dormido com os pais não demonstravam nenhum efeito pernicioso: não tinham piores relações com os pais nem com outras pessoas, nem consumiam mais tabaco, álcool nem outras drogas e não era mais ativos sexualmente.

A cama compartilhada não causa morte súbita. Não se sabe qual é a causa da morte súbita, mas são conhecidos vários fatores que podem aumentar ou diminuir o risco. (…) As mais importantes: colocar os bebês para dormir sempre de barriga para cima (de barriga para baixo é o pior, mas de lado também há um certo risco), não fumar durante a gravidez nem nos primeiros meses (e passo esse período, seria uma boa ideia parar de fumar para sempre, o que beneficiaria tanto as crianças como os pais) e não deixar o bebê dormir sozinho no seu quarto (é melhor que o berço esteja no quarto dos pais, pelo menos nos primeiros seis meses).”

Por isso, durmam bem, famílias de cama compartilhada!