Em 7 de Setembro, como você já sabe, se celebra a Independência do Brasil. Aproveitamos essa data para compartilhar com todos os nossos leitores a independência em foro íntimo, especificamente na infância. Vocês já pararam para perceber como se deseja que os filhos sejam independentes dos pais?

Direto na fonte: separamos um trecho muito especial do livro Besame Mucho, de Carlos González, que trata sobre o tema. Leia, compartilhe e comente em sua comunidade parental.

“A independência é um dos grandes temas da puericultura moderna. Todos nós queremos filhos independentes! Que acordem e durmam quando lhes der na telha, que só façam os deveres se tiverem vontade, que decidam sozinhos se querem ir à escola, que vistam a roupa que mais gostarem e comam o que quiserem…

Ah, não! Não esse tipo de independência. Queremos que nossos filhos sejam independentes, mas que façam exatamente o que mandarmos. Ou melhor, que adivinhem nossos pensamentos e façam o que quisermos sem necessidade de dizer-lhes nada. Assim, todos verão que somos pais muito bons e lhes damos muita liberdade, que nem sequer damos ordens. Muitos pais se rebelaram algum dia (ou tiveram vontade) contra a educação excessivamente rígida que receberam. Prometeram a si mesmos que dariam mais liberdade aos seus filhos. E agora se encontram com a grande surpresa de que seus filhos, ao ter liberdade, fazem o que querem! Mas é claro, o que pensavam que eles fariam?

Na verdade, o que muitos pensam quando dizem “quero que meu filho seja independente” é “quero que ele durma sozinho e sem me chamar, que coma sozinho e muito, que brinque sozinho e sem fazer barulho, que não me incomode, que quando eu sair e deixá-lo com outra pessoa ele fique igualmente feliz”.

Mas esse não é um objetivo razoável para uma criança, nem para um adulto. O ser humano é um animal social e, portanto, nossa independência não consiste em vivermos sozinhos em uma ilha deserta, mas sim em vivermos em um grupo. Precisamos dos demais, e os demais precisam de nós. Um ser humano adulto deve ser capaz de pedir e obter ajuda dos demais para alcançar seus objetivos, e de dar ajuda aos demais quando pedirem. Mais que independentes, somos interdependentes.

Um mendigo que pede esmola é dependente, depende da boa vontade dos que passam. Poderíamos dizer que um empregado que recebe no fim do mês é dependente, porque não poderia trabalhar sem uma empresa, sem companheiros, sem chefes ou sem subordinados. Mas o consideramos independente porque tem um contrato e um salário. Quando vai receber o salário, sabe quanto pagarão e tem o direito de exigi-lo.

Se uma criança grita “papai!” e o papai vem, ela é independente. Se o papai não vem porque não tem vontade, a criança depende de que ele tenha vontade ou não. Quando você dá atenção, está ensinando o seu filho a ser independente. Depois de uma separação (uma doença, o trabalho da mãe, o começo da escolinha) a criança fica mais dependente, precisa de mais mimos, mais contato, não quer separar-se nem um minuto. Se ela ganha esse contato que precisa, acabará superando sua insegurança. Se isso é negado a ela, o problema será cada vez maior.

Não é a mesma coisa uma criança que para de chamar a mãe porque já não precisa dela e outra que para de chamá-la porque sabe que, por mais que a chame, ela nunca responderá.”

A pergunta que fica é: quando seu filho vai ser independente?