Mais um ano se inicia e, com ele, mais sonhos e planos querem sair do papel e do mundo das ideias… Mas parece que eles nunca se concretizam, não saem como planejamos. Ainda mais em um segundo (espero que não!) ano pandêmico. 

Imagine, então, para quem está com projeto de se separar ou em processo de divórcio? Parece mais desafiador ainda, não é mesmo? E é! Não vou mentir. Todavia, se existe uma regra geral para atingir metas, ela pode ser aplicada aqui também. “Como?”, você deve estar se perguntando e me xingando. Entendo, eu também estaria assim no seu lugar. Vamos pensar juntas, então?

Gostaria de sugerir um exercício. Arrume um tempinho para você, um tempinho e um local em que possa ficar só com você, com seus medos, sonhos e dores. Sente-se de frente para eles, convide-os para tomar alguma bebida que a acolha. Pode ser bebida alcoólica, desde que você não se perca na embriaguez e nas mentiras que o álcool conta!

Todos acomodados no sofá da sua vida? Respire fundo e se abra para escutar o que eles têm a dizer. Ou perguntar… Não tenha pressa em responder nada. Você não sabe e não é obrigada a saber nenhuma resposta! Apenas escute. Com atenção. Com carinho. Com acolhimento. Revisite cada parte da sua vida. Olhe aqueles cantinhos escondidos atrás da cristaleira pesada. Pesada de sonhos não vividos, fantasias, medos e traumas. Mas, olhe bem, tem mais coisa aí! Tem toda uma vida vivida. Talvez não vivida como você merecia, como você havia sonhado. Mas tem, sim, vida vivida aí dentro! Há, sim, projetos concluídos, amores, paixões, alegrias. 

A sujeira e a poeira de anos de sofrimento, de perdas e da sensação de que você fez tudo errado, de que escolheu o companheiro errado, ficam por cima da prataria e da porcelana. Mas se você conseguir limpar tudo, peça por peça, no seu tempo, com o que você tem nas mãos, que podem ser somente suas mãos mesmo, vai começar a enxergar. Vai começar a se ver no reflexo daquele bule raro e antigo de prata. Você está aí! Está vendo? Dê uma baforadinha, esfregue o bule no seu vestido de menina sonhadora, você está lá! Olhe! Veja!

Depois dessa faxina das boas, veja o que restou. O que você quer manter e o que você quer deixar para trás. E arrume, devagar, as prateleiras da sua vida. Comece imaginando e planejando a primeira prateleira, aquela debaixo, chamada “primeiros seis meses após o divórcio”. Como você gostaria de estar e viver, nesses primeiros seis meses? Olhe a realidade à sua volta e as suas reais possibilidades. O que você pode fazer com o que enxerga? Filhos, moradia, dinheiro, rede de apoio, onde isso tudo se encaixa nessa prateleira? Tá faltando louça aí? Tem alguém que possa te emprestar uma xícara, metafórica ou não, de açúcar? 

Não há receita de bolo, minha amiga. Não há! Desculpe-me por decepcioná-la. Não vou aqui impor regras para a sua vida.

Mas vai por mim, olhe-se, veja o que você tem, planeje-se para se separar. Faça uma escolha por vez. Espere ela se assentar. Espere para ver se ela serve e se servirá, nos próximos e primeiros seis meses de pós-divórcio. Depois, vá escolhendo e planejando os próximos passos. Caminhe e a estrada se abrirá à sua frente. 

E por fim, planeje cada área da sua vida, como quem planeja a festa de debutantes dos sonhos. Cada detalhe, cada passo a ser dado. Acolha a dor. Faça terapia. Entre em grupos de mulheres que estão na mesma situação. Leia livros e assista séries e filmes que possam inspirar, neste momento e em todos os outros.

Contrate uma advogada que esteja alinhada a seus projetos de vida, que seja dedicada e sincera com você, que não garanta uma boa vingança ou que a desencoraje a seguir com o divórcio. E que não prometa que seu divórcio será tranquilo, mas que também não dificulte o caminho sem necessidade. 

Lembre-se: você cresceu, você está crescendo, você não é mais aquela menina cheia de sonhos e assustada. Você é uma mulher forte. E adivinhe só: mulheres fortes não dão conta de tudo. Elas choram, descansam e pedem ajuda. Por isso são fortes! Siga em frente! Bom ano novo. Feliz vida nova!