Nós mulheres temos a honra de ser templo e portal para novas vidas. Essa condição nos permite sentir a profundidade desse universo e iniciar uma busca de cuidados para viver esse momento único. Dificilmente, entendemos a complexidade do assunto quando não estamos vivendo o momento, o que nos faz pensar no parto somente na gestação.

A descoberta de onde parte o parto é muito mais que um pré-natal. Um estudo recente trouxe uma alarmante distopia obstétrica: 72% das mulheres gestando pretendiam viver um parto normal, mas somente 20% delas conseguiram de fato passar pela experiência.

O que aconteceu com essas mulheres? Será que a maioria das mulheres têm patologia considerável que justifique uma cirurgia?

No Brasil, desejar um parto normal não é suficiente! Somos desacreditadas de nossos corpos durante essa jornada. Estamos imersas em uma cultura habituada em terceirizar o trabalho e os processos, nos impedindo protagonizar esses marcos importantes como o parto e a maternidade.

Quem aqui já ouviu, que passar por um parto fisiológico era voltar aos primórdios da humanidade? Muitos profissionais pensam assim: que parto é sofrimento primitivo e que a tecnologia se desenvolveu para abreviar esse momento de “dor”. Uma parte dessa história da dor não foi contada, a dor também ensina, a dor nos dá medidas e faz valorizar não apenas o parto, mas a conquista do processo. A dor existe nos dois modelos de processo, a diferença são os momentos. Nos deixamos levar por argumentos rasos e abrimos mão da escolha, terceirizamos um processo significativo, visceral e único.

E por que nos deixamos levar?

Não ter informação adequada vinda diretamente do profissional em questão, é uma das falhas que alimenta essa cultura da terceirização. Quando nos deixamos levar por esse discurso, não nos damos conta que em seguida vem outras terceirizações, como comprar na prateleira da farmácia alimento para um bebê – comodidade para uns, necessidade para outros – podendo receber esse alimento por outra pessoa que não seja a mãe. Não nos damos conta que isso nos distancia cada vez mais dos vínculos importantes e decisivos para a formação saudável de um ser humano, de uma família. Mais adiante, estamos terceirizando nossos corpos, nossa saúde, nossas decisões, alimentando esse emaranhado cultural que empurra uma vida cheia de desempoderamento.

Hoje, é desse lugar que parte o parto. O parto deveria vir da informação, do domínio do corpo, da compreensão do processo, da escolha correta, da medicina baseada em evidência, da decisão ativa.

O melhor jeito é:
1- Acessar uma cultura de relatos de parto,
2- Ter uma doula para te acompanhar no processo,
3- Frequentar grupos de apoio ao parto fisiológico

Esses são os três pilares importantes que podem te ajudar a encontrar uma direção. E aí, de onde seu parto vai partir?