Quando a minha filha estava se aproximando dos 6 meses, fiquei empolgada em comprar babadores, cadeira, pratinhos, talheres, copo… Isso acontece com muitas famílias! Juntamos o momento especial que está chegando com o apelo comercial desses produtos e acabamos comprando um monte de utensílios que, muitas vezes, tornam-se perfeitas tranqueiras encostadas no fundo do armário.

Trago esse texto, então, para conversar com aquela mãe ou pai que está nos preparativos da introdução alimentar e já aviso que, em geral, o bebê precisa de bem menos material do que nos fazem acreditar. Seria muito mais importante para o bebê se, em vez de gastar o tempo e dinheiro adquirindo acessórios, a gente aproveitasse para se informar e desenhar como acontecerá a alimentação da cria.

Você conhece o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos? É o nosso documento nacional de referência sobre alimentação infantil que, inclusive, está disponível gratuitamente on-line. Toda família deveria, pelo menos, percorrer alguns trechos que falam do momento da introdução alimentar.

Se você namora com a possibilidade do BLW, tem livro que fala disso! Aliás, além de ler, você precisa bater um papo com um profissional que entenda de introdução alimentar para tirar suas dúvidas e pensar em como ajustar as recomendações à sua rotina e ao perfil do bebê. Não dá para pensar que é só receber as regras, mas discutir, tirar dúvidas e, inclusive, contestar!

Quando você se prepara, tem menos chances de não se frustrar ao perceber que, nos primeiros dias, o bebê talvez nem queira ficar no cadeirão lindo que compraram! Ou que aquele prato infantil todo colorido é enorme para a quantidade de comida que ele come (e que, no final, você acaba usando aquele velho potinho de vidro que já estava no seu armário).

Mas não precisa comprar nada mesmo? De tudo, o que eu mais valorizo é o local onde o bebê fará as refeições. Então, antes de pensar na cadeira, pense onde, na sua casa, o bebê comerá! O ideal é que ele consiga comer com a família e, por consequência, que a família coma à mesa.

Aí sim você pensa em qual cadeira se ajusta a esse espaço! Pense também em segurança (bebês não param quietos), capacidade dele ficar sentado ereto (isso previne engasgos), conforto (eles têm biotipos diferentes e isso precisa ser considerado) e praticidade (imagine uma cadeira que você terá que higienizar de três a quatro vezes ao dia).

Nem precisa ser uma cadeira nova! Muitas vezes, em grupos maternos, conseguimos algo mais acessível porque, dependendo do perfil do seu bebê, logo ele vai querer comer usando uma cadeira comum ou, mesmo, algo mais baixo, que lhe garanta autonomia para ir e vir!De resto, copo, prato, colher… Você pode começar usando o que tem em casa e, se sentir realmente necessidade, você busca aquilo que fará sentido para vocês! Quando falo que introdução alimentar é um processo de aprendizagem, ela não se restringe ao bebê, mas a todos que fazem parte do cuidado dele!