Uma boa foto é aquela que não precisa de legenda.

Ouvi essa frase há alguns anos e posso dizer que bateu forte em mim, norteando meu trabalho. Desde então procurei resolver em uma imagem tudo aquilo que eu gostaria de transmitir, sem legendas. Passei a ver e a sentir a fotografia de forma mais profunda e, ao mesmo tempo, me afastei mais das palavras, que nunca foram o meu forte.

Mas aquilo que repelimos de alguma forma também nos atrai. E aqui estou eu pra falar do que tanto gosto, imagens e parto.

A fotografia de parto é um registro documental, que fala por si. É um registro que dispensa legendas. Acessa as pessoas em um lugar instintivo, de pertencimento. Ou o contrário, dependendo da história de vida de cada um. Mas de toda forma provoca. O que percebo é que ninguém passa batido em uma foto de nascimento.

Muitas mulheres, vendo outras parindo, se identificam e buscam informação para o seu próprio parto. E aí sim questionam o sistema, trocam de equipes, viram o mundo do avesso atrás de respeito e autonomia em um dos momentos mais importantes da sua vida. Por isso digo que a fotografia de parto é um agente de transformação potente.

Mas a realidade é que para muitas mulheres não é tão fácil se esquivar do sistema. Quando se depende de plantonistas, plano de saúde, serviço público de saúde, a escolha não é tão simples e somos jogadas numa roleta da sorte. Temos que contar com o valor humano daquele que será o plantonista da vez. Ou com a sorte de um parto “rápido e fácil” que não dê espaço para intervenções desnecessárias. Temos que contar com a empatia de pessoas que são diariamente dragadas pelo sistema e longe de serem felizes. É um ciclo. Está bom pra quem?

Agora o papo é com as mulheres e essa é a deixa pra eu te fazer um convite: como seria se todas nós, mulheres, nos olhássemos com empatia? Como seria se as mulheres se apoiassem? As eleições estão aí e são uma oportunidade de mudança.

É no micro, nas nossas ações cotidianas, que mudamos o macro.

Fica o convite!