Me perdoem os amantes do futebol e os insaciáveis pela polêmica. Mas não consigo evitar. Sei que a pandemia não deve paralisar nossas vidas. Ou que, pelo menos, não deveríamos permitir isso. Mas tenho algumas perguntas sinceras a fazer.

Já me peguei assistindo a um filme, na maior tensão, entre cenas de destruição ou até perto do fim do mundo, o instinto de sobrevivência no nível máximo, quando personagens cheios de tesão se encontram e – com ou sem barranco – se pegam com todas as forças. E as desgraças correndo soltas no fundo da cena. Nestes momentos, sempre me vem a pergunta: de onde vem todo esse tesão entre duas pessoas que estão prestes a serem dizimadas com a destruição da Terra?

Pessoalmente, não consigo entrar no clima. Confesso que nessas horas, olho para o romance e me sinto a parte de tudo isso. Meu tesão está diretamente conectado à minha sensação de segurança. E, com a vida do jeito que anda, só tenho assistido a produções de comédia. Já tá difícil demais ser feliz para ainda sentir medo, dor ou os dramas do mundo da arte. Pessoalmente, minha válvula de escape é rir.

Vamos falar de outra obscenidade. Mas não no sentido de devasso, lascivo, safado. Mais precisamente, o futebol. Será que ninguém questiona ou ironiza jornais e sites que dão manchete para o jogo de futebol do campeonato Ki-Suco enquanto tem uma pandemia matando centenas de milhares de pessoas lá fora? Nem os jornalistas? Como é possível a gente não se indignar toda vez que um esporte ou outras frivolidades ganham o espaço de destaque acima de notícias de saúde, política e educação?

Tá bom. A vida precisa continuar. Não quero influenciar ninguém. Era só um desabafo.