Há não muito tempo atrás, pouco se discutia sobre vegetarianismo entre bebês. Uma parte, provavelmente, era devido ao fato das famílias vegetarianas não se sentirem acolhidas pelos profissionais de saúde, mas também temos que considerar que há um aumento de pessoas que optam pelo não consumo de carnes ou, inclusive, de quaisquer produtos de origem animal.

Segundo dados do IBOPE Inteligência, de 2018, no Brasil, 14% da população se declarava vegetariana, o que torna fundamental discutir o tema no campo da alimentação infantil. Nos atendimentos, sou questionada se é possível fazer a introdução alimentar vegetariana. Eu consigo entender os receios porque, em geral, as pessoas são onívoras, ou seja, consomem alimentos de origem animal.

Por isso, as recomendações nutricionais, inclusive aquelas sobre introdução alimentar, são baseadas nesse modelo populacional. Assim, quando eu recebo alguém que não representa esse modelo, eu preciso considerar que alguns ajustes podem ser necessários. Porém, isso não significa que um bebê vegetariano está sendo exposto ao maior risco nutricional.

E o que considerar?

O primeiro passo é entender qual a classificação, relacionada ao vegetarianismo. Há a ingestão de lácteos e ovos? Trata-se de um vegetariano estrito? Veganos? Também é necessário entender sobre o hábito alimentar da casa porque, se há uma alimentação diversificada, fica mais simples fazer os ajustes necessários, porque, afinal, a maioria dos nutrientes existentes nos alimentos de origem animal pode ser encontrado em vegetais.

Outro ponto para considerar é o aleitamento materno. Garantir que a criança se mantenha amamentada por, pelo menos, até seus dois anos de idade proporciona a ela o acesso mais fácil aos nutrientes necessários.

Alguns cuidados práticos com a alimentação de crianças vegetarianas:

  • Mantenha o aleitamento materno até os 2 anos e assegure-se de que, no primeiro ano de vida, o leite é o principal alimento para o bebê!
  • Desde o início da introdução alimentar, assim que o bebê começar a fazer o almoço e/ou o jantar, as leguminosas, como os feijões, lentilha e grão-de-bico, precisam aparecer!
  • Alimentos alaranjados, ricos em vitamina A, como abóbora, manga, mamão e batata-doce, precisam ser oferecidos, pelo menos, 3 vezes na semana.
  • Os alimentos verde-escuros, ricos em cálcio, como brócolis, agrião e couve, são recomendados, pelo menos, quatro vezes na semana.
  • Colocar um pouco de óleo de linhaça, além do azeite, para a finalização do preparo dos alimentos ajudará o bebê a obter quantidade adequada de gordura e de ômega-3.
  • Junto às refeições principais, vale oferecer um alimento rico em vitamina C, como laranja, abacaxi ou goiaba, que ajuda na absorção do ferro da refeição.

E a suplementação?

A de ferro já é indicada para TODOS os bebês nascidos à termo dos 6 aos 24 meses segundo o Ministério da Saúde e não será diferente aos vegetarianos. Com relação à vitamina B12, a Sociedade Vegetariana Brasileira preconiza a suplementação para todas as crianças vegetarianas, independente da opção pelo uso de ovos ou laticínios.

Ah… e vale o olhar cuidadoso para a mãe que amamenta

A mãe também precisa estar longe de possíveis deficiências. Assumindo esses cuidados e o acompanhamento em saúde, como qualquer lactente, ele poderá participar da alimentação da família, considerando suas características, e garantir uma boa saúde!