Você sabe com quantos meses começou a receber alimentos? Eu e a maioria dos bebês da minha geração começamos por volta dos quatro meses de idade, pois era uma época em que desmamávamos com poucas semanas de vida e que a alternativa para garantir a nossa sobrevivência era oferecer alimentos o quanto antes.

Felizmente, muito mudou de lá para cá e hoje evidências consistentes orientam que o bebê passe a receba outros alimentos, além do leite, a partir dos seis meses de idade. O seu organismo, no primeiro ano de vida, está em intenso amadurecimento. O sistema digestório vai passar por alterações do pH, aumento na produção de enzimas e incremento nas vilosidades do intestino (que possibilitam a absorção dos nutrientes).Já o sistema excretor aprenderá a fazer a filtração da urina de forma mais efetiva.

Tudo isso possibilita que o corpo do bebê consiga lidar melhor com os novos alimentos que ele terá contato.

Antes disso, o que é para ser uma experiência positiva pode, na verdade, desencadear em problemas, como a diminuição das mamadas, aumento do risco de doenças gastrintestinais e de deficiências nutricionais. Também podemos observar problemas a longo prazo, como o aumento excessivo do peso.

Apesar da recomendação da Organização Mundial de Saúde já estar próxima de completar vinte anos, ainda muitas famílias realizam a introdução alimentar precoce por diferentes motivos.

Um deles tem a ver com a licença-maternidade que, para muitas de nós, acaba antes do bebê chegar aos seis meses. É uma situação desafiadora, mas é importante destacar que, a partir das necessidades do bebê, não se justifica antecipar a oferta de alimentos. O ideal é que, junto com o profissional que o acompanha, sejam pensadas estratégias para esse período. O estoque de leite materno ordenhado pode ser a forma com menor impacto financeiro e com maiores benefícios à saúde do bebê!

Mesmo para aquelas mulheres que têm um semestre assegurado de licença, o desejo de estar por perto conduzindo as primeiras experiências alimentares do bebê também leva à introdução alimentar precoce. Compreendo e acolho a vontade da mulher e, assim, também vale pensar em alternativas, como começar a oferta de alimentos aos finais de semana ou feriados e também usar e abusar da refeições nos horários noturnos, em vez dos habituais lanche de manhã e almoço.

Por último, quero falar da situação em que as famílias antecipam a introdução alimentar sob a justificativa do bebê já se acostumar com os alimentos. É fato que os bebês não comem logo nos primeiros dias (e, muitas vezes, semanas ou meses), mas isso já está contemplado na nossa recomendação de que o leite será o principal alimento no primeiro ano de vida.

O bebê não precisa começar antes na tentativa de ganhar mais experiência porque, além da pressa não ser necessária, oferecer alimentos para um bebê que não está pronto pode torná-lo menos receptivo à alimentação e, em vez de ajudar, atrapalhamos!

Começar a oferta de novos alimentos é uma fase de muitas expectativas e ansiedade para as famílias! É natural! Quando faz sentido a importância desse momento, os cuidadores entenderão mais facilmente os benefícios de se esperar a idade certa e, claro, sobre como conduzir a alimentação de forma adequada!