Se você está gestante ou antenada nas informações sobre parto e nascimento, deve já ter ouvido falar sobre o Plano de parto, principalmente se o seu desejo for de um parto respeitoso.

O plano de parto é um documento elaborado pela gestante, com validade legal, reconhecido e recomendado pelo Ministério da Saúde e contém todas as informações/desejos que a gestante espera da equipe de assistência no atendimento ao parto.

Ele busca garantir a participação da mulher/família nas decisões da assistência, possibilitando o diálogo entre equipe e família, compartilhando as diversas possibilidades para que a decisão final seja sua.

Apesar de ser um documento recomendado pelo Ministério da Saúde, nem sempre é possível que ele seja cumprido em sua totalidade, algumas coisas podem sair do rumo planejado, havendo uma quebra desse plano de parto.

Quando isso acontece, conversar em sala de parto sobre o que será alterado, pesando os riscos e benefícios dessas intervenções junto com a equipe é fundamental para que o parto possa caminhar com segurança.

Conhecer as intervenções, entender o porquê delas no ambiente hospitalar e quais são as indicações é uma oportunidade demostrar o quanto você está informada.

Conversar com seu médico durante o pré-natal sobre o plano de parto te ajuda a conhecer a equipe escolhida por você, avaliando se ela contempla seus desejos e expectativas no atendimento que você busca.
Um ponto importante: não adianta ter um médico intervencionista tradicional e querer que ele respeite na íntegra um parto sem interferências, pois não mudamos conduta profissional, buscamos um profissional que pratique a conduta que desejamos.

Em que momento é preciso elaborar e entregar o plano de parto?

Como doula, eu acredito que a elaboração do plano de parto é uma construção individual, um aprendizado constante que vai evoluindo junto com a gestação, mas que deve ser discutido coletivamente com os profissionais envolvidos, como a doula, a parteira e o obstetra, sendo finalizado e entregue perto da data provável do parto.

Se você for parir com plantão, leve seu plano de parto pronto nas consultas semanais e anexe ao seu prontuário caso vá para maternidade particular.

Na maternidade pública, leve mais de uma via e entregue um no momento da abertura da sua ficha, outro para a equipe de enfermagem e outro para o médico.

Como fazer seu plano de parto? Foto de Lela Beltrão para o livro Nascer, da Editora Timo.

Como fazer seu plano de parto? Foto de Lela Beltrão para o livro Nascer, da Editora Timo.

O que colocar no plano de parto?

  • Dados pessoais da gestante, do bebê e do acompanhante;
  • Dados e contatos da equipe técnica;
  • Lista de intervenções que são ou não consentidas durante o parto;
  • Lista de intervenções que são ou não consentidas no nascimento do bebê;
  • Lista de intervenções que são ou não consentidas no pós-parto imediato;
  • Lista de intervenções que são ou não consentidas nos cuidados após o parto com seu recém-nascido;
  • Lista de desejos pessoais: escolha de playlists, escolha de quem recepcionará o bebê, alimentos que são mais tolerados pela mãe etc;
  • Espaço para informações que você julgue importante como medos, histórias da gestação, questões familiares etc.

Na internet você achará diversos modelos de diferentes plano de parto, particularmente eu sempre indico o plano de parto da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, pois além de contemplar as mulheres do sistema público de saúde, tem informações valiosas sobre Leis e direitos que garantem proteção da mulher e do bebê durante o processo de internação até alta hospitalar.

Lembre-se que o plano de parto é apenas um norte para seu empoderamento!

É o primeiro passo para que você tome para si o seu parto, suas escolhas, estando cercada de pessoas que garantirão que essas escolhas sejam respeitadas!

Boa hora para você!

Sugestão de leitura:

Recomendação da OMS na assistência ao parto normal

Plano de Parto – Defensoria Pública