Pensei bastante o que traria nesse primeiro texto e achei mais do que oportuno falar sobre os significados da introdução alimentar. Primeiro, porque sou mãe de uma garotinha de sete anos, que vem me ensinando muito sobre alimentação infantil e, também, porque sou nutricionista e venho trabalhando há bastante tempo com famílias e diariamente ouço as suas frustrações com relação à alimentação das crias.

E, aí, pergunto: será que tantos bebês vivenciam dificuldades alimentares? Eles realmente comem pouco, são incapazes de mastigar ou fazem birra?

Já acompanhei muitos bebês e que também gosto muito de estudar sobre esse período da vida e o meu papel geralmente é tranquilizar as famílias mostrando que não há nada de errado com a criança, mas há a necessidade de repensarmos nossos objetivos sobre esse momento.

Quando acreditamos que um bebê, imediatamente após os seis meses, não consegue se nutrir somente com o leite (ou, mesmo, a fórmula), tentamos fazer com que ele coma a qualquer custo, seja com uma papa liquidificada, seja com desenhos no celular ou forçando as colheradas. Mas saiba que um bebê não está em risco nutricional eminente, mesmo que não coma nessa fase. O leite é o principal alimento até seus doze meses. Tudo aquilo que oferecemos além do leite chama-se “alimentação complementar”, que não tem esse nome à toa: ela é um adicional à alimentação láctea.

Mesmo pronto para comer, o bebê precisa aprender a lidar com os alimentos mais consistentes, conquistando uma série de habilidades para comer com destreza, tal como nós, adultos, fazemos. Comer uma banana, mesmo amassada, é diferente de beber leite. Esse aprendizado será mais fácil se o bebê estiver em um ambiente tranquilo, sentindo-se seguro e respeitado.

E destaco mais um ponto: enquanto nós, adultos, facilmente comemos mais do que precisamos, os bebês tendem a apresentar um melhor controle de saciedade, ou seja, eles param de comer independente do prato ainda ter comida.

E a última mensagem: introdução alimentar é o momento para a criança compreender que participar das refeições e levar comida à boca é prazeroso, não uma obrigação. Assim, não estamos somente falando sobre o consumo de alimentos saudáveis, mas sobre a formação de uma relação saudável com a alimentação, algo que produzirá benefícios ao longo da infância e provavelmente, na vida dessa criança.