Estou “morando” na internet.

Por conta do trabalho, sempre passei tempo demais pendurada no celular. Organizando eventos, gerindo equipe, falando com a família em outro estado. Mas com a pandemia, isso piorou significativamente. Com você também tem sido assim?

Desde que minha primeira filha nasceu, impus a mim mesma algumas regras. Uma delas era que das 18h30 às 20h eu não atenderia telefonemas e nem olharia mensagens. Funcionou bem. Era o nosso tempo exclusivo juntas. E ela foi crescendo acostumada com isso. Quando o telefone tocava, já esperava que eu o deixasse de lado. Mas, ela cresceu e as regras mudaram de algum modo.

E aí veio outra criança. De novo precisava de mais tempo para me dedicar, mas também tinha que trabalhar mais para pagar mais contas. No segundo rebento, tudo é mais flexível, da alimentação à vitamina S e do celular aos palavrões. E a segunda também foi crescendo. E o trabalho se estendendo. O tempo online se alargando.

Corta para a pandemia. Tudo, absolutamente tudo passou a ser online. Da escola à visita aos avós. Antes eu até tinha meus momentos de tentativa de autocontrole. Idas à feira e à praça no final de semana sem o telefone, uma ou outra refeição longe do maldito. No cenário atual, percebi que a necessidade tinha virado vício. A solidão dentro de casa me aproximou do celular para poder chegar às pessoas. E os avisos semanais de tempo de uso do aparelho foram se ampliando.

Percebi que estou doente e que minhas crianças também estão. Estamos todas viciadas.

Que criança aprende pelo exemplo não é novidade para ninguém. Então, vale lembrar que sua criança só vai deixar o aparelho de lado se você também deixar.

Meu pai tinha uma fala:
– Faça o que eu digo. Não faça o que eu falo. – Como eu odiava esse discurso. Odeio até hoje. Com todas as forças do meu coração. E luto para que nós adultos não repitamos isso nas nossas atitudes.

Tudo isso para te dizer: se policie. Constantemente. Não ceda às suas vontades. Cuidado com a mensagem que você está passando para os seus filhos pelos seus exemplos.

E voltando ao problema inicial, permita-se ficar longe do celular mais tempo. Suas mãos vão tremer, sua cabeça vai rodar, talvez sua garganta seque e dê até alguma dor inexplicável na alma. Um misto de solidão, urgência, fome. Mas você vai resistir e isso vai te fazer bem. Tente, hoje, desligar seu celular uma hora mais cedo, não assista TV e não ligue seu computador. Brinque com as crianças, leia um livro de papel, cozinhe ou até ligue para alguém por voz – como fazíamos no século passado. Lembre que as crianças aprendem nas entrelinhas, aprendem pelo que não falamos.

Além de tudo, tenho certeza de que você vai dormir melhor essa noite. Faça deste o seu novo luxo.